Roberto Itimura

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Sedentário e obeso, do alto de seus 117 kg, Roberto resolveu parar de fumar por causa da bronquite de sua filha aos 30 anos. Já se iam 14 anos com o cigarro até então. O sedentarismo pode ser creditado de certa forma por um acidente em que Roberto sofreu com fogos deformando sua mão direita. Não havia vontade de sair de casa. Um verdadeiro golpe de "exclusão social".

Era hora de baixar o peso mas problemas cardíacos foram diagnosticados e daí, embora lutasse contra a perda de peso, uma sucessão de 3 infartos, 5 pontes de safena, revascularização coronária, angioplastia e um stend foram fazendo parte de sua história.

Era 2004 quando Roberto descobriu seu problema cardíaco referente à uma doença que acumula gordura em seu sangue. Em uma dessa sucessão de cirurgias que foi submetido, seu cardiologista lhe deu 5 anos de vida. Um pouco mais caso somasse administração de medicamentos somado a caminhada.

Dentro da projeção dos médicos, 2009 era como uma data limite para Roberto, mas nesse intervalo, as caminhadas se transformaram em corridas na esteira, na pista e enfim, nas provas que foram logo de 10k. Na segunda no entanto, parecia que se confirmaria as previsões médicas. Na reta final de sua segunda prova de 10k, Roberto apaga e já acorda no hospital após seu terceiro infarto. Sua mulher insistia que junto ao médico que ele deveria parar de correr.

A corrida tem mantido seu marido vivo. Essa foi a resposta do médico e de lá para cá, os feitos de Roberto são impressionantes para qualquer corredor normal. Imaginem para um ex-fumante, ex-sedentário que teve 117 kg.

Seus feitos nas corridas avançaram tanto que em 2014 foi convidado para participar da Maratona de Minneapolis sendo um dos representante do Brasil para o Programa Global Heroes da Meditronic que elege todo ano 25 pessoas do mundo para participar da prova.

Fui um dos condutores da Tocha Olímpica no Brasil, por motivar as pessoas na inclusão social através das corridas de rua e no ano passado foi homenageado como Cidadão jundiaiense por fazer as pessoas praticarem atividades físicas na avenida nove de julho em Jundiaí.

Roberto Itimura tornou-se um incentivador e numa dessas, em 2017 foi ao Rio de Janeiro acompanhar um amigo na primeira maratona mas por volta do quilômetro 30, seu corpo não ajudava e teve que abortar a missão. Disse ao amigo que pegaria um táxi e encontraria ele nos últimos quilômetros para conseguir cumprir o prometido e todos cruzam a faixa. Festa para o seu amigo, fotos e a medalha como recordação. Algumas horas depois, já no hotel, Roberto se incomodou com aquela medalha pois não havia completado de fato a maratona.

Sem titubear, entrou em contato com a organização da prova para devolver a medalha. Por essas e muios outros detalhes impossíveis de se relatar em tão curto espaço, é que Roberto Itimura ganhou inclusive uma prova em seu nome que ocorre dia 21 de abril com inscrições até 05/04. É a Corrida Run 7K Roberto Itimura promovida pela New Times Sports. Para se inscrever ou mesmo conhecer Roberto Itimura, vá direto ao site:

Inscrição.

Run 7k Roberto Itimura acontece 21 de abril

Como nem tudo são flores na vida nem de nossos heróis, ano passado, fez exame de cateterismo e foi diagnosticado que tem somente uma artéria com aproximadamente 95% de oclusão, ou seja está com somente 5 % de passagem do sangue.

Seu cardiologista fala que é como se cruzasse diariamente uma território de guerrilha. Você simplesmente não sabe se termina o dia vivo.

-Não é fácil receber essa notícia. Posso dizer que fiquei abalado, mas tomei a decisão de continuar correndo, afinal, todo mundo pode morrer. Seja hoje ou amanhã.

Roberto se despede de mim com certa pressa e alegria por viver para ir treinar com seu grupo e me mandou a foto algum tempo depois.

Roberto Itimura com sua equipe de corrida