Acordei meio-maratonista e vou dormir maratonista
By Demétrius Maratona Updated on:Março de 2018. Cerca de 15 dias para sua primeira maratona e uma contusão no caminho. Julio teve que adiar a sua desejada “Maratona Internacional de São Paulo. Meses de treino perdido e o sonho da 1ª Maratona adiada. Começava aí sua relação com esta prova.
Já em 2019 com a ideia de se preparar para uma maratona, começou os treinos, mas desta vez, a prova escolhida foi a Maratona Internacional de Floripa, mas algo começou a lhe perturbar internamente. Nascido em São Paulo e apaixonado pela cidade tinha em suas recordações o seu primeiro chute, seu primeiro beijo, primeiro namoro, onde aprendeu a dirigir, seu primeiro emprego e a primeira Meia em São Paulo.
Nunca lhe agradou por completo a ideia de que uma primeira Maratona fosse fora de São Paulo, mas seguia o plano e a planilha de olho em Floripa até que surgiu uma oportunidade pouco mais de duas semanas de correr a Maratona Internacional de São Paulo. “Eu balancei” diz Julio Cena. Sem treino específico para essa prova e com apenas um longo de 17k desde o início do ano. “Loucura mesmo”
Para piorar, na semana da prova, uma gripe daquelas. Segundo ele mesmo, normal já que se trata da prova que parece querer virar meu calcanhar de Aquiles. A gripe não era das mais amenas. Injeção na quarta, repouso e hidratação e “Penso estar pronto para loucura”
É chegado o dia da prova e é difícil explicar cada sentimento durante o percurso. Sabia que Aguinaldo,um amigo estava fazendo a primeira maratona dele também. Embora eu não o tenha visto, próximo ao km 28 se não me engano, vi o amigo dele o esperando para lhe dar aquela força. Próximo a chegada tinham mais duas pessoas esperando por ele e não só porque eram uma equipe mas por que são amigos, família e se importam um com o outro.
Depois vi o Gabriel e a Larissa. Dois maratonistas com uma linda história com um cooler distribuindo refrigerante geladíssimo, amendoim, doce e dorflex para a galera. Poderiam estar correndo mas preferiram saudar todos com ajuda e boas energias.
Sofrimento no rosto dos atletas, o encontro com amigos, a espera ansiosa de pessoas especiais. Algumas emoções que só quem passa pode sentir, mas tive três calafrios pelo corpo todo durante o percurso.
O primeiro quando passou os 21k e pensei: “Agora começa a história. Daqui para a frente tudo é novo numa prova. O segundo foi nos 35k. Quando se machucou para essa prova, foi no longão de 35k e pensou: “E agora, como vai ser?”
No 37k, uma mensagem do Demétrius perguntando onde eu estava e disse que ainda estava por chegar. Para minha surpresa, ele e Daniela me esperavam cerca de 700 metros antes da chegada e o terceiro arrepio foi com eles cruzando o pórtico. Segurei o choro, mas essa era a vontade.

“Quanto a minha relação com a Maratona Internacional de São Paulo, esse era meu desafio, mas sem treino não aconselho. Fui lá e mostrei para essa pedra no meu tênis que eu sou o meu incentivo. Eu posso sim aquilo que eu quiser e que a minha motivação maior vem do meu coração e sim, a 1ª foi na minha terra. Os deuses do olimpo devem estar felizes pois hoje tem mais um louco para turma.
“Acordei meio-maratonista e vou dormir maratonista”